Fundação Butantan diz que fará o plantio de mais de 9 mil mudas como compensação ambiental. Ministério Público de São Paulo pediu explicações sobre a remoção da vegetação.

A expansão do complexo industrial do Instituto Butantan, na Zona Oeste de São Paulo, deve levar à derrubada de mais de 6,6 mil árvores, segundo um ofício da Fundação Butantan enviado ao Ministério Público.

A ampliação tem como objetivo aumentar a capacidade de produção de vacinas, mas moradores da região e ambientalistas questionam se o projeto poderia ser realizado em outro local, sem necessidade de desmatamento.

A vegetação ocupa metade da área do Instituto Butantan e é considerada patrimônio histórico do estado. No meio do verde, há espaços já ocupados por prédios, incluindo os que foram erguidos recentemente para ampliar a produção de vacinas. A expansão segue o Plano Diretor do instituto, aprovado em 2021, que prevê novas construções em áreas protegidas.

Diante do impacto ambiental, o Ministério Público solicitou esclarecimentos à Fundação Butantan sobre o destino da área verde. O ofício enviado pelo instituto detalha quatro áreas onde as árvores devem ser removidas:

  • 739 árvores serão cortadas para a construção de um restaurante;
  • 1.680 árvores para a instalação de uma central de medicamentos e insumos;
  • 1.311 árvores para a ampliação do setor que cuida dos animais usados em pesquisas científicas;
  • 2.899 árvores serão removidas na área onde já funciona a principal unidade industrial do Butantan.

Plano de compensação

Para compensar a derrubada, a Fundação Butantan propõe o plantio de 9.260 mudas no próprio complexo. Segundo o instituto, o projeto reduzirá o espaço ocupado por árvores, mas aumentará a quantidade de espécies na área verde restante.

A fundação já possui uma autorização prévia da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para seguir com o projeto. No entanto, cada remoção de árvore ainda precisará de uma licença específica.

“É importante destacar que essas 6,6 mil árvores estão dentro do contexto de um plano diretor, um planejamento a longo prazo. A vegetação do Instituto Butantan é composta por muitas espécies exóticas e invasoras. Vamos eliminar essas espécies e replantar árvores nativas da Mata Atlântica”, afirmou Renan Rodrigues da Costa, biólogo e gestor ambiental da Fundação Butantan.

Impacto ambiental e críticas

Para o coletivo Rede Nosso Parque, que atua na defesa de patrimônios naturais do estado, o desmatamento pode causar um impacto irreversível.

“Isso empobrece de forma enorme a biologia da cidade. Estamos falando do corte de milhares de árvores em uma área que é uma ilha de Mata Atlântica em São Paulo. É a ponta de lança, a cabeça de um corredor ecológico que envolve o corredor ecológico do Butantã, a área arborizada da Raposo Tavares, chegando no Parque Jequitibá, na divisa com Cotia e Osasco, indo para o Parque Cemucam e, mais além, para a Reserva Florestal do Morro Grande. E as espécies circulam por todo esse corredor. Afeta diretamente a fauna na cidade”, alertou Fábio Sanches, integrante do coletivo.

Além das aves, um estudo do próprio Instituto Butantan identificou 20 espécies de répteis e anfíbios na área.

Os órgãos de preservação do patrimônio histórico Conpresp e Condephaat já autorizaram as intervenções no local. No entanto, a aprovação gerou questionamentos porque o Plano Diretor do Butantan foi elaborado pelo escritório de arquitetura de Carlos Augusto Mattei Faggin, atual presidente do Condephaat – órgão responsável por autorizar esse tipo de obra.

A moradora Sônia Hamburguér, que vive nas proximidades do instituto, foi a responsável por denunciar o projeto ao Ministério Público.

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